O que há no intervalo entre o desejar e o realizar! – Por Claudia Gimenes

Sempre falei que como filhos biológicos não vieram, partimos para a adoção sem fazer exames e sem tratamentos. Isso realmente foi verdade!

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Quando a gravidez não se efetivou no prazo determinado pelo médico decidimos não fazer tratamentos, exames, nada disso, afinal queríamos ser pais e não fazíamos questão de termos uma barriga, no entanto esse processo não se passa sem sofrimentos.

No post anterior a este eu falei que enlouqueci. E enlouqueci, mesmo!
Sorte minha que consegui detectar isso e consegui reverter por mim mesma a situação.

No intervalo entre desejar ser mãe e tornar-se mãe, tanto na maternidade biológica quanto na maternidade adotiva, este período é permeado de muitos sentimentos, muitos medos, muitos receios.

Quando a gente deseja muito ser mãe e planeja este filho, a gente sonha, idealiza, organiza e reorganiza a casa mentalmente, planeja um novo carro… ou ter um carro, a pintura da casa, o enxoval, talvez uma mudança de trabalho, pensa em creche, escolinha e tantas outras coisas que vêm junto com um filho.

Conforme o tempo vai passando e, mês a mês a vida vai te frustrando neste sonho, neste planejamento, muitos sentimentos precisam e são elaborados.

No meu caso a adoção não era opção SE eu não engravidasse. Adoção era plano de vida. Eu ia adotar gerando filhos ou não, mas mesmo assim diante do ‘não’ da vida, sentimentos afloram, tais como: frustração por não engravidar, sentimento de inferioridade em relação a outras mulheres, sentimento de uma vida inútil porque a gente nasce e cresce sendo criada para ser mãe.

A gente tem que elaborar esses sentimentos e não é fácil.

Não é fácil lidar com frustrações!

Você vê as pessoas gerando de forma irresponsável filhos indesejados e é difícil entender o porquê de estar vivendo e convivendo com essa situação.

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Mesmo desejando adotar eu também desejei engravidar e embora a gravidez não fosse algo imprescindível em minha vida, foi um plano, foi um projeto frustrado o qual tive que reelaborar, tive que viver o tal do luto que tanto dizem.

E eu vivi intensamente. Eu chorei, eu questionei Deus, até briguei com Ele algumas vezes, principalmente quando alguma desalmada jogava seu recém-nascido no rio perto da minha casa, ou jogava seus rebentos no lixo, largavam na igreja, matavam.

Briguei com Deus muitas vezes, sim, mas nunca guardei revolta em meu ser. Eu chorava, eu sofria, eu me rasgava por dentro de desespero muitas vezes, mas eu não tinha revolta.

Uma noite, logo depois do ocorrido com a história da banheira azul do post anterior, tive um atraso considerável, o mais longo de todos e na noite anterior ao dia que eu ia ao médico para fazer um BHCG, quando fui tomar banho estava lá meu ‘não’ novamente.

Esse não foi o pior ‘não’ de todos porque teve um que foi terrível por conta de um ‘excelente’ obstetra, mas foi o que senti intensamente na alma.

Nesta noite, ao ir deitar, peguei meu evangelho e, de joelhos…coisa que nunca havia feito…orei, orei, orei e, de coração aberto pedi: Senhor, me faz entender o porquê de tudo isso! Por caridade, me mostre porquê!

E nesta noite eu sonhei. Foi um sonho real, lindo, o qual me emociona até hoje quando lembro!

O lugar era calmo, silencioso, cheio de paz, tinha um gramado macio bem verde, árvores frondosas, um riacho onde corria uma água cristalina, à margem duas pedras grandes. Sentei em uma e um homem cujo rosto não pude ver ou não registrei sentou-se na outra e me falou o seguinte:

– Minha irmã, na vida existem árvores que nascem para dar frutos e saciar a fome e existem árvores que nascem pra dar sombra e acolher. Nenhuma é mais importante do que a outra. Ambas se completam.

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E então eu compreendi que eu era, sim, uma ‘árvore que nasceu para dar sombra e acolher’.

Acordei agradecida a Deus pela resposta à minha oração e senti intima e fortemente em meu ser que eu estava no caminho certo: deveria voltar a trabalhar, me curar e ficar pronta para que, no tempo de Deus, meus filhos pudessem chegar.

E assim foi!

E assim hoje sou mãe de três pessoas que são os seres mais importantes da minha vida. Amo tanto que a alma até dói.

Depois que a primeira nasceu nunca mais senti desejo de tentar ter um filho biológico. Não sinto frustração por isso, nem mágoa com a vida.

Tudo foi como tinha que ser e eu sou grata a Deus e à vida por tudo de maravilhoso que operaram em minha vida e na vida da família que eu e meu marido conseguimos formar.

Isso tudo creio que só foi possível porque, mesmo diante do sofrimento, no intervalo entre o desejar e o realizar a maternidade nunca me faltou esperança e fé.

Que nunca nos falte esperança e fé em nenhuma circunstância na vida!

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